HISTÓRIA

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UNICAMP, 1976. O começo de tudo...
Mais uma noite fria de inverno no Centro de Computação do campus da universidade. Ouvia-se somente os gemidos das leitoras de cartões perfurados misturados aos lamentos dos que, mais uma vez, não conseguiram em tempo, terminar mais um daqueles enfadonhos trabalhos de computação. 

O relógio local insistia em indicar o início de um novo dia. O líquido dourado borbulhante e engarrafado que, por ora, servia para saciar a sede daqueles obstinados estudantes preocupados em não assinalarem mais uma DP em seus currículos, se esvaia garganta abaixo enquanto a incontinência urinária se mostrava viva e obrigava a desviar as atenções das atividades momentaneamente prioritárias.

- Cadê a chave do banheiro? Gritavam aqueles estudantes ávidos em eliminar o néctar de ouro absorvido e quimicamente transformado em outro líquido ainda de teor dourado: a urina. - Levaram a chave do banheiro da computação embora! Gritavam outros um pouco mais esclarecidos.

A solução não foi improvisada. Uma voz quase inaudível no meio da multidão lembrou dos banheiros da Física. Salvadores banheiros!

A multidão incontrolada tomou de assalto os sanitários do departamento irmão. Num instante, todos, quase de uma única vez, deparam-se com aquela nobre visão: a imagem de um autêntico e raríssimo passaralhus. Uma imagem que reluzia fulgor através de suas formas mais singelas.

A emoção tomou conta do ambiente, surpreendente e imprevisível, capaz de amortecer qualquer outro sentimento por mais atuante que fosse. Sem reação, a umidade morna, incontrolada, fluía perna abaixo daqueles atônitos observadores.

A imagem jamais foi esquecida por aqueles personagens que, em um ato de subserviência, faziam nascer ali um novo sentido para a vida. Surgia, então, a Grã Ordem dos Passaralhus Erectus!

O sol mais uma vez despontou atrás das montanhas. Porém, um seleto grupo de pessoas estava ciente que algo mudara. O mundo nunca mais seria o mesmo...

 

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